A luz do final da tarde entrava pelas janelas altas do ateliê, pintando o piso de madeira com tons dourados e quentes. Eu me acomodei no meu banquinho, o bloco de desenho apoiado no colo, tentando ignorar o leve tremor nas mãos. A sessão de desenho ao vivo havia começado há meia hora e o modelo masculino, um homem de cerca de trinta anos chamado Lucas, mantinha uma pose serena no centro do círculo de artistas. Sua pele clara refletia a luz como mármore vivo.
Ao meu lado, sentada um pouco mais à frente, estava Clara, a instrutora da aula. Seus cabelos castanhos caíam soltos sobre os ombros e ela observava o modelo com uma concentração que parecia misturar profissionalismo e algo mais. Do outro lado, o único outro aluno presente naquela tarde, um rapaz loiro chamado Mateus, riscava linhas rápidas no papel. Éramos apenas nós quatro naquele espaço amplo e silencioso.
O ar estava parado, carregado do cheiro de grafite e madeira antiga. Lucas ajustou levemente o peso do corpo, e os músculos de seu abdômen se moveram sob a pele. Eu tracei o contorno de sua coxa com o lápis, mas minha atenção se desviava para o modo como Clara inclinava a cabeça, mordendo o lábio inferior. Mateus pigarreou de repente.
- Aposto que você não conseguiria posar ao lado dele agora - murmurou ele, olhando na minha direção com um sorriso provocador. - Só para ver como fica o contraste.
A frase saiu como uma brincadeira leve, mas pairou no ar. Clara ergueu uma sobrancelha, interessada. Lucas, ainda na pose, não se moveu, porém seus olhos se encontraram com os meus por um segundo. Algo no silêncio que se seguiu fez meu coração acelerar. Eu ri, tentando descontrair.
- Por que eu? - respondi, mas minha voz saiu mais rouca do que pretendia.
Clara fechou o bloco com cuidado e se levantou. Caminhou até mim devagar, os passos ecoando no piso. Parou ao meu lado e inclinou-se, o perfume de sândalo suave envolvendo-me.
- Aceita o desafio? - perguntou ela baixinho, só para mim. - Seria interessante estudar a interação entre dois corpos.
Eu senti o calor subir pelo pescoço. O atrevimento da proposta misturava-se com a curiosidade que já vinha crescendo desde o início da sessão. Levantei-me, deixando o bloco cair ao chão. Tirei primeiro a blusa, depois a calça, dobrando cada peça com movimentos deliberados. O ar fresco do ateliê tocou minha pele nua. Lucas observava, ainda imóvel na pose, mas sua respiração havia mudado.
Caminhei até o centro e posicionei-me ao lado dele, nossos ombros quase se tocando. A proximidade era elétrica. Clara voltou ao seu lugar, mas agora seu lápis não se movia. Mateus também parou de desenhar. O silêncio era denso, apenas o som distante do tráfego na rua lá fora.
Lucas virou levemente a cabeça, e seu hálito quente roçou minha orelha.
- Você está tremendo - sussurrou ele.
Não era de frio. Clara se aproximou novamente, agora sem o bloco. Seus dedos roçaram meu braço, traçando uma linha invisível até o cotovelo. O toque era leve, exploratório. Mateus se levantou e veio até nós, parando atrás de mim. Senti seu peito próximo às minhas costas.
O que começou como uma pose compartilhada transformou-se em algo mais quando Clara guiou minha mão até o peito de Lucas. Seus mamilos endureceram sob meus dedos. O corpo dele reagiu imediatamente, o membro se erguendo devagar contra minha coxa. Eu não recuei. Em vez disso, deixei que meus dedos descessem, envolvendo-o com delicadeza. A pele era quente e macia, pulsando sob o toque.
Mateus pressionou-se contra mim por trás, suas mãos deslizando pelos meus quadris. Clara beijou meu ombro, os lábios úmidos deixando um rastro que fez minha pele arrepiar. O ateliê inteiro parecia ter encolhido para aquele pequeno círculo de corpos. Os três me tocavam agora: Clara explorando meus seios com as palmas abertas, Lucas beijando meu pescoço enquanto eu o acariciava ritmicamente, Mateus pressionando seu membro contra minha nádega, a ereção firme através da calça jeans.
Deitamos juntos no estrado de madeira onde Lucas posava antes. O chão estava frio contra as costas, mas o calor dos corpos compensava. Clara ajoelhou-se ao meu lado e tomou um dos meus mamilos na boca, sugando com pressão suave e constante. Lucas posicionou-se entre minhas pernas, separando-as com cuidado. Sua língua encontrou meu centro, quente e molhado, traçando círculos lentos que me fizeram arquear as costas. Mateus beijou minha boca, a língua dele entrelaçando-se com a minha enquanto suas mãos seguravam meus pulsos acima da cabeça.
O prazer se acumulava em ondas. Lucas inseriu um dedo dentro de mim, depois dois, curvando-os no ponto que fazia estrelas explodirem atrás das minhas pálpebras. Eu gemia contra a boca de Mateus. Clara mudou de posição, sentando-se sobre meu rosto, e eu a lambi com avidez, saboreando seu gosto salgado e doce. O ar ficou úmido com nossos suspiros e o som úmido de bocas e pele contra pele.
Lucas entrou em mim devagar, centímetro por centímetro, preenchendo-me enquanto Clara continuava a me lamber no ponto sensível acima. Mateus soltou meus pulsos e eu o toquei também, minha mão envolvendo seu membro e movendo-se no mesmo ritmo que Lucas me penetrava. Os três ritmos se sincronizaram: o vai e vem de Lucas dentro de mim, os movimentos da minha língua em Clara, minha mão em Mateus. O clímax veio em camadas. Primeiro Clara tremeu contra minha boca, depois Lucas acelerou e gozou com um gemido abafado contra meu ombro. Eu segui logo depois, o corpo inteiro se contraindo em torno dele. Mateus terminou por último, quente contra minha barriga.
Ficamos entrelaçados por longos minutos, a respiração pesada enchendo o silêncio. A luz do entardecer tinha escurecido para tons de âmbar. Ninguém se moveu para se vestir imediatamente. Clara traçava círculos preguiçosos no meu peito, Lucas ainda dentro de mim, amolecendo lentamente.
Mas então ouvimos o clique da porta do ateliê se abrindo.