Eu desci os degraus de pedra úmida sem saber exatamente por quê. O jantar na sala principal da fazenda já estava abafado, cheio de conversas que não me interessavam. O convite para o passeio pela propriedade mencionara a adega apenas de passagem, mas algo me puxou para lá.
A porta de madeira pesada rangeu quando empurrei. O cheiro de carvalho velho e vinho adocicado me envolveu de imediato. Luz fraca entrava por uma pequena janela gradeada no alto. Garrafas se alinhavam em prateleiras de madeira escura, algumas cobertas de poeira fina.
Não estava sozinha.
Uma mulher de cabelos castanhos longos, presos em um coque frouxo, estava de costas para mim, examinando uma garrafa. Usava um vestido leve de linho branco que marcava a cintura e caía até os tornozelos. Quando se virou, seus olhos escuros me encontraram e algo estremeceu no ar entre nós.
- Desculpe - disse ela, a voz baixa e rouca. - Não esperava companhia.
- Nem eu - respondi, sentindo o coração bater mais forte. - Vim fugindo do barulho lá em cima.
Ela sorriu de canto, um sorriso que não chegava a ser educado, mas sim curioso. Colocou a garrafa de volta e deu um passo à frente. O vestido roçava suas coxas. Eu notei o modo como a luz tocava seu colo e o pescoço fino.
- Eu cuido da adega durante as visitas - explicou. - Mas hoje vim só para pensar.
Não havia nada de profissional no modo como ela me olhava. Era como se já nos conhecêssemos de alguma vida anterior. Dei mais um passo, sentindo o chão frio sob os pés descalços - eu havia tirado os sapatos no salão.
A conversa fluiu devagar, sobre vinhos, sobre a casa antiga, sobre nada importante. Mas cada palavra parecia carregar peso extra. Quando ela se aproximou para mostrar uma garrafa especial, nossos braços se tocaram. O contato foi breve, porém suficiente para despertar calor na pele.
- Quer provar? - perguntou, já abrindo a garrafa com um saca-rolhas antigo.
O vinho escorreu vermelho-escuro em duas taças que ela tirou de uma prateleira baixa. Quando entregou a minha, nossos dedos se encontraram e permaneceram ali um segundo a mais.
Eu bebi. O gosto era denso, de frutas escuras e madeira. Ela observava meus lábios. Eu observava os dela. O silêncio que se seguiu foi carregado.
Ela deu o primeiro passo. Colocou a taça de lado e encostou as costas das mãos no meu rosto, como se pedisse permissão sem palavras. Eu inclinei a cabeça e nossos lábios se encontraram. O beijo começou suave, quase hesitante, depois ganhou fome. Suas mãos desceram pelos meus braços, traçando a pele exposta pelo vestido leve que eu usava.
Eu a puxei mais perto. O corpo dela era quente contra o meu. Nossos seios se pressionaram através do tecido fino. A língua dela explorou a minha boca com paciência, saboreando o vinho que ainda permanecia ali. Meus dedos afundaram em seus cabelos, desfazendo o coque.
Ela me conduziu para trás até encostarmos em uma mesa de madeira larga usada para deguste. O vestido dela subiu quando eu passei as mãos por suas coxas. A pele era macia, quente. Eu me ajoelhei sem pensar, puxando a barra do linho para cima. Ela não usava nada por baixo.
O cheiro dela se misturava ao do vinho e da madeira. Eu beijei a parte interna de sua coxa, subindo devagar. Ela soltou um suspiro baixo quando minha boca encontrou o centro quente e úmido. Minhas mãos seguravam suas nádegas, sentindo os músculos se contraírem. A língua traçou caminhos lentos, círculos precisos, pressionando onde ela mais reagia. O gosto salgado e doce dela se misturava ao vinho que ainda tinha na língua.
Ela gemeu meu nome - eu nem havia dito o meu, mas soou como se já soubesse. Seus dedos entrelaçaram nos meus cabelos, guiando sem forçar. Eu a lambi mais fundo, sentindo o ponto inchado pulsar contra minha boca. Dois dedos entraram devagar, curvando-se para encontrar o lugar que a fazia arquear as costas. O ritmo aumentou devagar, construindo pressão.
Quando ela gozou, foi silencioso e intenso, o corpo tremendo contra meus lábios. Eu continuei até que os tremores diminuíssem, então me levantei. Ela me beijou novamente, saboreando a si mesma na minha boca.
Trocamos de lugar. Meu vestido foi puxado para baixo, os seios expostos ao ar fresco da adega. Os mamilos endureceram ao toque dos dedos dela. Ela chupou um, depois o outro, enquanto as mãos desciam entre minhas pernas. Eu estava encharcada. Dois dedos dela entraram com facilidade, o polegar circulando o clitóris com precisão.
Eu me apoiei na mesa, pernas abertas. O prazer subiu rápido, mas ela controlou o ritmo, prolongando. Quando gozei, mordi o ombro dela para não gritar. O mundo pareceu girar por alguns segundos.
Nos vestimos em silêncio, trocando olhares. O vinho continuava ali, intocado depois da primeira taça.
Enquanto o eco dos passos se aproximava lá de cima, eu soube que nossa história mal começara.