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Início · 2026-07-31 · 4 min de leitura · 🌶🌶

Trem da Meia-Noite

DesconhecidoProibido

O trem balançava suavemente enquanto eu arrumava minha mala no compartimento estreito. Era a primeira vez que viajava sozinha em um sleeper car e o espaço parecia menor do que nas fotos. As cortinas de veludo vermelho cobriam a janela, filtrando a luz amarelada dos corredores. Eu me sentei na cama de baixo, sentindo o tecido áspero do lençol contra a pele da coxa. O bilhete indicava que o compartimento era compartilhado, mas até agora eu estava sozinha.

Horas depois, a porta deslizou e um homem entrou. Ele era mais alto que a maioria, com ombros largos que ocupavam quase toda a entrada. Trazia um paletó escuro dobrado no braço e uma mala pequena. "Boa noite", murmurou com voz grave, sem sorrir de imediato. Eu respondi educadamente, sentindo o olhar dele percorrer o espaço e pousar em mim por um segundo a mais. Ele subiu na cama de cima, o colchão rangendo levemente sob seu peso.

O trem ganhou velocidade e o ritmo constante dos trilhos preencheu o silêncio. Eu tentei ler, mas as palavras escorregavam. De vez em quando ouvia o movimento dele acima de mim: o som de páginas virando, o rangido quando ele mudava de posição. O calor no compartimento aumentava apesar do ar-condicionado. Tirei o cardigã, ficando apenas com a blusa fina de algodão. Meu peito subia e descia mais rápido do que deveria.

Passaram-se duas estações. Na terceira, ele desceu para pegar uma garrafa de água na mala. Quando se inclinou, notei o cheiro de madeira e algo cítrico. Nossos olhos se encontraram. Ele não desviou o olhar imediatamente. "Longa viagem", comentou. Eu concordei, a voz um pouco rouca. A conversa começou devagar: destinos, razões para estar no trem, preferências por janelas abertas ou fechadas. Cada frase parecia carregada de algo não dito.

A noite avançou. As luzes do corredor foram diminuídas. Eu apaguei a minha pequena luminária, mas o escuro não trouxe sono. O balançar do trem se tornou quase hipnótico, movendo meu corpo contra o colchão de forma sutil. Ouvi ele descer novamente. "Não consigo dormir", disse ele baixinho. Eu me sentei, puxando as pernas para o peito. Ele se sentou na borda da minha cama, mantendo uma distância respeitosa, mas o compartimento era tão pequeno que seus joelhos quase tocavam os meus.

Falamos mais. Vozes baixas, risadas contidas. Ele mencionou uma viagem de trabalho que se estendia por semanas. Eu contei sobre a minha mudança de cidade. A cada palavra, o espaço entre nós diminuía. Um joelho roçou o outro. Nenhum dos dois se afastou. O ar parecia mais denso. Meu pulso acelerou quando ele passou a mão pelo próprio cabelo, o gesto simples revelando a linha do pescoço.

Em algum momento, a conversa parou. O trem entrou em uma curva longa e eu me inclinei levemente para a frente para manter o equilíbrio. Ele estendeu a mão para estabilizar meu braço, os dedos quentes contra minha pele. O toque durou mais que o necessário. Eu não recuei. Em vez disso, inclinei-me um pouco mais, sentindo o calor que emanava dele.

O beijo aconteceu sem aviso, mas também sem pressa. Lábios que primeiro se encontraram com hesitação, depois se aprofundaram. Minhas mãos subiram até os ombros dele, sentindo a tensão dos músculos sob o tecido da camisa. Ele me puxou para mais perto, o corpo dele pressionando o meu contra o colchão. O trem continuava seu ritmo constante, cada solavanco amplificando o contato.

As roupas foram removidas devagar, peça por peça, entre beijos e suspiros abafados. A pele dele era quente, o peito largo cobrindo o meu enquanto as mãos exploravam curvas e contornos. Dedos traçaram linhas ao longo das minhas costelas, desceram até a cintura, depois mais abaixo. Eu respondi tocando-o também, sentindo a evidência do desejo dele contra minha coxa. O compartimento cheirava a suor e desejo, o ar quente e úmido.

Quando ele finalmente entrou em mim, o movimento foi deliberado, acompanhando o balançar do trem. Cada estocada era profunda e controlada no início, depois mais urgente. Meus dedos cravaram nas costas dele, as unhas deixando marcas leves. Gemidos baixos escapavam de nossas gargantas, misturados ao ruído dos trilhos. O clímax veio em ondas, primeiro para mim, depois para ele, os corpos tremendo juntos enquanto o trem passava por uma ponte, o som metálico ecoando.

Depois, deitados lado a lado no espaço apertado, respiração pesada preenchia o ar. Ele passou os dedos pelo meu cabelo, traçando padrões lentos na pele. O trem reduziu a velocidade para a próxima estação. Eu fechei os olhos, sentindo o peso dele ainda ao meu lado, quando um leve clique na porta chamou nossa atenção.

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