O rio corria lento e silencioso ao redor do nosso barco-casa, as águas escuras refletindo o céu alaranjado do entardecer. Eu estava ali havia três dias, sozinha com ele, depois que o resto da família decidiu voltar para a cidade. Ele era o parceiro de negócios do meu pai, dez anos mais velho, casado com a minha prima distante - uma ligação que tornava qualquer pensamento sobre ele algo perigoso e errado. Ainda assim, desde o primeiro momento em que embarcamos, eu sentia o olhar dele me seguindo quando pensava que eu não notava.
A cabine era pequena, cheirando a madeira úmida e ao perfume fresco do rio. Eu me ocupava preparando o jantar, cortando legumes devagar, enquanto ele consertava uma rede na varanda externa. O som da água batendo contra o casco preenchia o silêncio, mas não o suficiente para abafar o pulso acelerado no meu peito toda vez que ele passava perto de mim. Sua camisa aberta revelava o peito largo, a pele bronzeada pelo sol dos últimos dias no rio. Eu me perguntava se ele sabia o efeito que causava.
Naquela noite, depois do jantar, sentamos na proa com taças de vinho. O vento leve movia meu cabelo, e ele comentou sobre como o rio parecia infinito à noite. Nossas mãos se tocaram ao servirmos mais vinho, um contato breve que enviou um choque pela minha espinha. Eu ri nervoso, mudando de assunto para a empresa do meu pai, mas as palavras saíam trêmulas. Ele me observava com aqueles olhos escuros, e eu sabia que a atração era mútua, proibida por laços familiares e promessas antigas.
Os dias seguintes foram uma tortura lenta. Nadávamos juntos nas águas calmas, corpos próximos demais na correnteza. À noite, conversávamos até tarde, vozes baixas no escuro da cabine compartilhada. Eu contava sobre meus planos de viagem, ele falava da vida que deixara para trás. Cada história aproximava mais nossos ombros no sofá estreito. O cheiro dele - sabonete simples misturado com o rio - invadia meu espaço. Eu começava a imaginar seus lábios nos meus, suas mãos explorando o que eu escondia sob as roupas leves de verão.
Uma tarde chuvosa, ficamos presos dentro do barco. A chuva tamborilava no telhado, criando um ritmo hipnótico. Ele me ensinou a jogar cartas em uma mesa pequena, nossos joelhos se tocando sob a madeira. Quando eu venci uma rodada, ele sorriu de lado, inclinando-se para frente. "Você joga sujo", murmurou. Meu coração bateu forte. Eu respondi algo leve, mas o ar entre nós mudou. Seus dedos roçaram os meus ao pegar as cartas, demorando-se um segundo a mais.
A noite caiu pesada. Eu me deitei na minha cama estreita, ouvindo a respiração dele no beliche acima. O calor do dia ainda pairava no ar, e eu não conseguia dormir. Puxei o lençol fino, sentindo o corpo inquieto. De repente, ele desceu. "Não consigo parar de pensar em você", disse ele, voz rouca no escuro. Eu sentei, o coração acelerado. A proibição de tudo aquilo - ele ligado à minha família, o risco de destruir tudo - só aumentava o desejo.
Nos beijamos devagar no início, lábios explorando, testando os limites. Suas mãos subiram pelas minhas costas, afastando o tecido da blusa. Eu respondi tocando seu peito, sentindo os músculos tensos sob os dedos. O barco balançava levemente com nossos movimentos, a água murmurando lá fora como um segredo compartilhado. Ele me deitou na cama, beijos descendo pelo meu pescoço, colarinho, até os seios. Cada toque era deliberado, como se quiséssemos prolongar o momento proibido.
Nossas roupas caíram uma a uma no chão de madeira. O contato pele com pele era elétrico, suor misturando-se ao aroma do rio que entrava pela janela aberta. Ele me beijou profundamente enquanto suas mãos desciam entre minhas pernas, explorando com paciência a umidade crescente. Eu gemia baixo, arqueando o corpo contra o dele, sentindo sua excitação pressionar minha coxa. Quando ele finalmente entrou em mim, foi lento, profundo, preenchendo cada espaço com um ritmo que fazia o barco inteiro tremer. Movíamo-nos juntos, gemidos abafados pelos lençóis, o clímax construindo em ondas que culminaram em um prazer intenso e compartilhado.
Depois, deitados enlaçados, o suor secando na pele, conversamos em sussurros. O rio continuava seu fluxo calmo lá fora, indiferente ao que havíamos feito. Eu traçava círculos no peito dele, sentindo o coração ainda acelerado. O peso daquilo que começara pesava no ar, mas o calor do seu corpo me mantinha ancorada.
A manhã seguinte trouxe luz suave através das cortinas, mas nenhum arrependimento imediato. Ainda assim, quando o rádio estalou com uma mensagem da família avisando que voltariam mais cedo, eu soube que o segredo estava ameaçado.