Eu me recostei na cadeira giratória, sentindo o peso dos dias sem dormir nos ombros. A tela do computador piscava com o relatório finalizado, mas o silêncio do escritório depois das três da manhã tornava tudo mais denso. Ana estava do outro lado da mesa, os cabelos soltos caindo sobre os ombros, a blusa um pouco amarrotada depois de horas digitando sem parar.
- Aposto que você não tem coragem de fazer algo diferente agora - ela disse de repente, a voz baixa, quase um sussurro no vazio do andar.
Eu ri, cansado, mas algo na forma como ela me olhava me impediu de descartar a frase. O prazo estava cumprido, ninguém mais voltaria antes das oito. O ar-condicionado zumbia baixo, e a cidade lá fora era apenas pontos de luz distantes.
- Diferente como? - perguntei, girando a caneta entre os dedos.
Ela se levantou devagar, caminhando até a janela que dava para os prédios escuros. - Tirar a gravata. Só isso. Uma aposta boba para celebrar.
Eu afrouxei o nó, sentindo o tecido deslizar pelo pescoço. O gesto pareceu simples, mas o olhar dela mudou, mais intenso. O coração começou a bater mais forte, como se o cansaço tivesse aberto espaço para outra coisa. O perfume dela, um cheiro leve de baunilha misturado ao suor do dia longo, chegava até mim quando ela voltou para perto.
- Sua vez agora - falei, a voz rouca.
Ana sorriu de lado e desabotoou o primeiro botão da blusa. A pele apareceu, clara sob a luz amarela. Eu não conseguia desviar os olhos. O desafio tinha começado como algo leve, mas cada movimento seguinte carregava mais peso. Ela se aproximou da minha cadeira, os dedos tocando levemente meu ombro. O calor da mão dela atravessou o tecido da camisa.
Continuei o jogo, tirando o paletó. O silêncio entre nós crescia, preenchido apenas pelo som distante de um elevador em outro andar. Quando ela se inclinou para frente, os seios quase roçando meu rosto, senti o ar ficar mais quente. O corpo dela emanava calor, e eu percebi que a aposta estava escapando do controle que imaginávamos.
Nossos lábios se encontraram sem aviso. O beijo começou suave, exploratório, mas logo ganhou urgência. As mãos dela subiram até minha nuca, puxando os cabelos curtos. Eu respondi tocando sua cintura, sentindo a curva sob a blusa fina. O tecido se ergueu quando ela se sentou no meu colo, as pernas se abrindo ao redor das minhas.
O beijo aprofundou. Nossas línguas se encontraram, úmidas, e o gosto dela era de café frio misturado ao sabor natural da pele. Respirei fundo, inalando seu cheiro, enquanto as mãos deslizavam por suas costas. Ana arqueou o corpo contra o meu, e eu senti o calor entre suas pernas pressionando minha coxa. O desejo cresceu rápido, como uma onda que não podíamos mais conter.
Ela se levantou só o tempo de tirar a blusa. Os seios, presos pelo sutiã de renda preta, subiam e desciam com a respiração acelerada. Eu puxei o fecho, liberando-os. Os mamilos endurecidos roçaram meus dedos quando os toquei, circulares, sentindo a textura macia. Ana soltou um gemido baixo, quase inaudível, e se inclinou para me beijar novamente, mais faminta.
Minhas mãos desceram até a saia, puxando-a para cima. A calcinha fina era o único obstáculo. Deslizei os dedos por dentro, encontrando a umidade quente, escorregadia. Ela se moveu contra minha mão, os quadris buscando mais pressão. Eu explorei devagar no começo, depois com mais firmeza, sentindo o clitóris inchar sob o toque. O cheiro dela se intensificou, doce e salgado ao mesmo tempo, misturando-se ao meu próprio suor.
Ana abriu meu cinto com dedos ágeis. A ereção latejava quando ela a libertou, envolvendo-a com a palma quente. O movimento rítmico dela me fez fechar os olhos por um segundo, perdido na sensação. Então ela se posicionou, descendo devagar sobre mim. A entrada apertada e molhada me envolveu centímetro por centímetro, quente, pulsante. Nós dois soltamos um suspiro longo quando nossos corpos se uniram completamente.
Começamos a nos mover juntos. Cada estocada era profunda, sentindo as paredes internas dela apertarem ao meu redor. O som molhado dos nossos corpos se chocando ecoava baixo no escritório vazio. Suas unhas cravaram nos meus ombros enquanto ela subia e descia, os seios balançando perto do meu rosto. Eu chupei um mamilo, mordiscando levemente, e senti ela apertar mais forte ao meu redor.
O ritmo acelerou. O suor escorria pelas nossas peles, colando a camisa no meu peito. O cheiro do sexo preenchia o ar, misturado ao couro das cadeiras e ao papel dos documentos espalhados. Ana gemeu mais alto agora, o corpo tremendo quando o orgasmo a alcançou, as contrações ritmadas apertando meu membro. Eu segui logo depois, liberando dentro dela em pulsos quentes, o prazer se espalhando como fogo pelas veias.
Nos abraçamos por longos minutos depois, as respirações ainda irregulares. O cansaço voltou, mas agora misturado a uma satisfação pesada. Ana se afastou devagar, ajustando a roupa com um sorriso cansado. Eu me levantei para arrumar a mesa, quando o telefone fixo tocou, quebrando o silêncio.
- Atende - ela sussurrou, os olhos brilhando com algo novo.