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Início · 2026-08-03 · 4 min de leitura · 🌶🌶

Suor no Asfalto

DesconhecidoFérias

O ar-condicionado do carro havia parado exatamente quando eu saí da rodovia principal. O sol batia forte no asfalto rachado e o motel surgiu como uma miragem de concreto bege, com a placa neon piscando "Vagas". Eu estava voltando de uma viagem longa, sozinha, e precisava de um lugar para descansar antes de continuar. Entrei no escritório pequeno e pedi um quarto. A atendente, com o rosto brilhando de suor, me entregou a chave e murmurou algo sobre a energia instável por causa do calor.

Quando abri a porta do quarto 12, o ar estava parado, úmido. Um ventilador de teto girava devagar, quase sem força. Deixei a mala no chão e fui até a janela, tentando abri-la. Foi então que vi ela. A porta ao lado estava entreaberta e uma mulher de cabelo preso alto, usando uma regata branca fina, olhava para fora. Nossos olhares se cruzaram por um segundo. Ela acenou com a cabeça, educada, e fechou a porta.

Eu me deitei na cama estreita, tentando ignorar o calor. Minhas roupas grudavam na pele. Tirei a blusa, ficando só de sutiã, e liguei o ventilador no máximo. O barulho era constante, mas o ar não refrescava. Horas se passaram. O sol descia devagar, pintando o quarto de laranja. Eu saí para comprar água na máquina de refrigerantes do corredor. Ela estava lá também, encostada na parede, segurando uma garrafa gelada contra a nuca.

- Está insuportável - ela disse, a voz baixa e rouca.

Concordei. Conversamos um pouco: ela viajava sozinha também, voltando de uma visita à família no interior. O nome dela era Laura. Voltamos para os quartos, mas deixei a porta entreaberta por causa do ar. O calor fazia tudo mais lento. Eu sentia os olhos dela me observando quando passava pelo corredor para encher o balde de gelo. Cada vez que nos víamos, o silêncio durava um pouco mais.

No final da tarde, a energia piscou e apagou. O ventilador parou. O motel inteiro ficou em silêncio, só o zumbido distante de geradores. Eu acendi uma vela que encontrei na gaveta. A luz amarela dançava nas paredes. Bati na porta dela, oferecendo gelo extra. Laura abriu, o rosto úmido, a regata colada ao corpo. Entramos no meu quarto porque o dela estava mais quente. Sentamos no chão, perto da janela aberta, deixando o vento quente entrar. Falamos de viagens, de cidades, de quanto tempo cada uma ficaria ali.

O tempo passou sem que notássemos. Nossas pernas se tocaram uma vez, por acidente. Nenhuma de nós moveu. O suor escorria pelo meu colo, pelo pescoço dela. Eu sentia o cheiro dela - sabonete barato misturado com pele quente. Nossos dedos se aproximaram quando pegamos o mesmo pedaço de gelo. O toque foi leve, mas ficou.

- Você está tremendo - ela murmurou.

Não era frio. Era o contrário. O calor entre nós era mais forte que o de fora. Eu me inclinei primeiro. O beijo começou devagar, quase hesitante, lábios secos encontrando os dela úmidos. As mãos dela subiram pelas minhas costas, traçando linhas de suor. Vestimos as roupas que restavam. O corpo dela era firme, macio nos lugares certos. Deitamos na cama estreita, as pernas se entrelaçando.

O beijo ficou mais fundo. Minhas mãos exploraram a curva dos seios dela por cima do tecido fino, sentindo os mamilos endurecerem. Ela arqueou o corpo contra o meu. Tirei a regata dela devagar, revelando pele brilhante à luz da vela. Lambi o suor que descia entre os seios, sentindo o gosto salgado. Laura gemeu baixo, os dedos enfiados no meu cabelo. Rolei por cima, pressionando nossos corpos juntos. Nossos quadris se moveram em ritmo lento no início, depois mais urgente. Ela me tocou entre as pernas, dedos ágeis abrindo caminho, encontrando a umidade que não era só do calor. Eu fiz o mesmo com ela, sentindo a maciez quente e escorregadia.

Entramos em um ritmo que parecia durar horas. Línguas se encontrando, mãos guiando, corpos se contorcendo na cama rangente. O clímax veio em ondas longas, uma após a outra, com gemidos abafados contra a pele do pescoço. Depois, ficamos deitadas, ofegantes, o suor seco grudando nossas barrigas. O ventilador voltou a girar quando a luz piscou de novo.

Laura se levantou primeiro para pegar água. Eu fiquei olhando o teto, sentindo o corpo leve e pesado ao mesmo tempo. Ela voltou e se deitou ao meu lado novamente, traçando círculos preguiçosos no meu braço.

- Amanhã cedo a estrada vai estar lotada - ela disse baixinho.

Eu não respondi. O telefone fixo do quarto tocou uma vez, soando estridente no silêncio.

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